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Nota baixa na escola: a culpa nem sempre é do aluno
07/03/2009
Fonte: A Gazeta
O ano letivo nem bem começou e aí está você, preocupado com o desempenho escolar do seu filho. Mas antes de forçá-lo a estudar mais do que o necessário ou deixá-lo de castigo por tirar uma nota baixa, pense que há outros fatores que podem ser responsáveis por esse mau desempenho.
“Um problema de aprendizagem pode ter várias causas, que vão desde a limitação da própria criança até o modelo pedagógico da escola, além de questões familiares”, destaca o psicopedagogo Cláudio Miranda.
Para evitar dores de cabeça no final do ano, é aconselhável avaliar agora o comportamento da criança ou adolescente. “No início do ano os pais devem ficar atentos às falas dos filhos, de quem eles falam, o que eles falam, e como eles falam (se tem muita carga emocional ou não)”, ensina Miranda.
Para ele, os pais devem ajudar o filho, principalmente se houve mudança de escola ou colegas. “Caso a situação persista deve-se procurar ajuda especializada”, aponta.
Colocar a culpa apenas na criança é um erro muito mais comum do que se imagina, inclusive entre os próprios alunos. Em pesquisa recente da Unesco, 82% dos alunos ouvidos dizem que, se não passar de ano, a culpa é sua, muito mais que da escola (mencionada por apenas 5%) ou dos professores (3,7%).
Os pais também culpam o filho: Outra pesquisa, “A Escola Vista por Dentro” indica que 63% dos pais da escola municipal e 54% dos da estadual culpam o filho por sua repetência.
Malandragem?
Mas nem toda reprovação é sinônimo de malandragem. “Existem alunos que estudam e não conseguem aprender tão facilmente. Isso pode acontecer por uma questão de aptidão para determinado tema e até pela relação com o professor, que pode causar uma verdadeira aversão pelo assunto”, aponta o especialista.
Para a pedagoga Eliza Bartolozzi, a estrutura das escolas e o próprio currículo fazem os alunos se desinteressarem. Segundo ela, o currículo “ainda é fragmentado, não traduz a complexidade e a diversidade da vida humana”.
O importante é ficar atento ao comportamento dos filhos logo no começo do ano, para ter tempo de evitar uma possível reprovação, destaca o psicopedagogo Cláudio Miranda.
Pais devem ficar de olho sempre
Só porque você paga uma escola particular, não pense que pode abrir mão de acompanhar a educação do seu filho de perto. Quem coloca o filho em escola particular (12% do total das matrículas da educação básica) tende a acreditar que elas são melhores que as escolas públicas.
Mas o problema é que mesmo os alunos ricos do Brasil têm desempenho pior do que o dos alunos mais pobres dos países desenvolvidos em avaliações como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), do MEC.
“Por melhor que seja uma escola, os pais devem acompanhar o desenvolvimento do filho e estimulá-lo a aprender mais, acompanhando-o nos deveres de casa e incentivando o gosto pela leitura”, aponta o psicopedagogo Cláudio Miranda.
Ele destaca que qualquer instituição pode cometer erros. E que crianças e adolescentes podem não se adaptar a determinadas linhas pedagógicas. “Pais atentos poderão corrigir mais rápido quaisquer problemas que possam surgir”, lembra.
Como identificar as dificuldades
Quem tem filhos adolescentes sabe: muitas vezes, é difícil distinguir a dificuldade, da malandragem. Mas, segundo o psicopedagogo Cláudio Miranda, com um pouquinho de atenção, dá para descobrir a diferença e optar pelo castigo ou pelo diálogo. “Uma criança ou adolescente que não se adaptou à escola irá apresentar muito mais reações e comportamentos atípicos para a série e idade em que se encontra”, ressalta. Nesses casos, de acordo com o especialista, pode haver com freqüência apatia, choro, recusa a ir a escola, além de reclamação da professora e dos colegas.
Interesse
Segundo o especialista, quando é malandragem a criança vai bem na escola, mas não faz as atividades por falta de interesse mesmo, ou para chamar atenção.
“Mesmo assim, os pais devem ficar atentos porque a própria malandragem pode refletir a não-adaptação. A falta de compromisso e o desinteresse também são sinais de que algo vai mal na vida acadêmica ou pessoal do aluno”, aponta.
Ajude seu filho
Vários fatores podem comprometer o desempenho do seu filho na escola. Saiba quais são e como ajudá-lo:
Causas
Na própria criança: Limitações fisiológicas, emocionais e intelectuais podem fazer com que a criança apresente dificuldades específicas na escrita, como troca ou omissão de letras, atraso na leitura e dificuldades de raciocínio lógico
Na família: A família pode ser causadora de problemas na aprendizagem quando os adultos responsáveis pela criança não valorizam a vida acadêmica da criança. A falta de acompanhamento diário dos deveres também pode pode ser uma causa. Um relacionamento tumultuado em casa também gera tensão na criança, predispondo-a ao fracasso
Na escola: A metodologia, o sistema de avaliação e a relação professor/aluno podem influenciar diretamente no desempenho, tanto positiva quanto negativamente
No relacionamento com colegas: Ser alvo de chacota e discriminação pode afastar a criança da escola e criar uma baixa auto-estima, que vai desestimulá-la a estudar
Sinais
Físicos: A criança pode sentir uma reação psicossomática, como tonteira, náusea, dor de cabeça, sudorese, tremores, dor de barriga, além de apatia e choro
Sociais: Ela também pode se afastar dos colegas, não ter mais vontade de ir a festinhas, provavelmente com medo de ser ridicularizada
O que fazer
Atenção: Ficar atento a mudanças de comportamento dos filhos e até sintomas físicos
Presença: Pais e mães devem ir a reuniões da escola e falar com professores e equipe técnica sobre as dificuldade do filho
Diálogo: Procure conversar com seus filhos. Mostre-se preocupado e disponível para seu filho. Faça isso de forma acolhedora sem usar palavras duras e ríspidas
Procure ajuda: Caso seja necessário procure os pedagogos da escola e converse sobre o que pode estar acontecendo e como é possível ajudar
Mude de escola: Mudar de escola pode ser uma solução quando tudo já foi tentado antes. Mas uma mudança ao primeiro sinal de dificuldade pode ser apenas uma mudança de endereço |